sexta-feira, 2 de abril de 2010

Falência verbal

Indecifrável calor
Esse os das palavras
Que se marcam na carne
Para resgatar uma simples memória

Esta terra é
Como um centro de um mundo
Mercado de migalhas douradas,
Em que da janela de um hotel
É possível comprar o céu

Interrompo o que é importante
Para atender aos estranhos
Que chegam para reclamar
O meu tempo que era o teu

Irrepetível sabor
Esse os das cicatrizes salgadas
Como rosas na carne
Para resgatar a história
Que foi nossa

Possuo a totalidade do nada
Conheço a totalidade do segredo
Guardado no coração do monstro amável

Interrompo a árvore
Quando colho a flor
E encho de bestialidade
Um simples gesto de amor

8 comentários:

Christine disse...

I'm at a loss for words... Seductively symbolic ***

thepoisonousi@thehospital.com disse...

Admirável poema, Fernando!

Quero que saibas que fico muito feliz por te teres decidido finalmente a partilhar alguns dos teus tesouros connosco. Bem-haja pela generosidade.

Grande abraço!


P. S. Olha, não sei se conheces o meu «blogue da memória»... Gostava que, se te fosse possível, o visitasses. A morada é www.inamok.blogspot.com. Estou a escrever o livro que o meu pai, porque a morte o levou cedo demais, não pode redigir. Quero imenso que ele se orgulhe de mim quando enfim o reencontrar.

P. P. S. Soube há dias que Moonspell vai actuar em Castelo Branco, por alturas da semana académica. Ainda bem que calha num fim de semana. Estarei presente, garantidamente. E é com inegável prazer que vou assitir, julgo eu, ao meu primeiro concerto da fase Night Eternal. (Já coloquei dois vídeos vossos n'O Bar do Ossian: The Southern Deathstyle (http://renascimentolusitano.blogspot.com/2009/12/morte-e-sul.html) e Night Eternal (http://renascimentolusitano.blogspot.com/2010/01/morte-ficada.html). Espero que vos agrade.)

Diogo disse...

Lindo, como de costume!

Maria disse...

Muito bom...
...quando vier a Guimarães avise por favor
Um abraço...

Maria disse...

Desculpe, mas sinto em mim toda a sua melancolia,
Qual vulto na escuridão...

Maria disse...

Desculpe, mas sinto em mim toda a sua melancolia,
Qual vulto na escuridão...

Anônimo disse...

neste poema

Parece que escreves a letra para uma música que eu começo a cantarolar e a inventar uma melodia.

Olha, vê como hoje o dia está brilhante
e ao entregarmos o corpo ao céu azul,
aqui deitados na relva,
sente-se o esplendor da paz em retorno.

Se te olhasse agora,
como se olha de frente o sol,
não sei o que te diria
talvez ficasse muda,
talvez respondesse com um sorriso,
ou fechasse os olhos,
para sempre,
para te guardar
comigo.

Joana Reis disse...

Para além de seres um excelente músico és também um excelente escritor/poeta! Um bem haja a ti, Fernando! Um dos meus artistas favoritos de sempre!!! Respect!

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