sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A vista do meu quarto

A Terra conseguiu a atenção das chuvas

O chão molhado, a silvar esta ausência de ti

Numa estação próxima, alguém corre para apanhar o tempo

Tonitruante, a utilização das linhas que te levarão

A saber colheres o insulto e fazer dele algo que possas

E devas usar

Bloqueado pela madeira da porta

Alguém abre lá fora a paisagem

De um cenário doméstico

Há um cheiro a calor

Há sangue no chão

Há um principal suspeito

De faca na mão

As chuvas acabaram por violar o teu voto de confiança

À estação ninguém chegou

Todos partiram em silêncio

A tua sombra tornou-se maior

É o Sol que nasce

Ignorante do crime

Ignorante do fim

Queimando a pele

Dizendo que sim


PS:

Dia 24 de Fevereiro estarei na Reitoria da Faculdade de Letras no âmbito da iniciativa 100 Lições a partir das 18.00. Darei informação mais detalhada do tema aqui e no facebook em breve. A entrada é livre.

Dia 25 de Fevereiro estarei no Cabaret Seixal (http://www.myspace.com/cabaretseixal/blog/541976887) e irei ler poemas do meu próximo livro de poesia Purgatorial bem como excertos de um dos contos/mitos urbanos que estou a escrever para a Gailivro e que se chama Exercício de Cidadania (sobre um serial killer que mata politicos). Mais informação no meu facebook. O bilhete custa 4€.

Gostava muito que aparecessem. Bom fim de semana!

6 comentários:

Daisy Libório disse...

(tuas palavras me dizem o seguinte:)

na passagem do premeditado
a espera torpe do tempo
sempre um quase-algo, esperado
em slow motion
seguem os olhos
paisagem irremediável
mudança fértil,
natureza humana:
espera.

Ceridwen disse...

Bom fim-de-semana! :)

Jorge Ribeiro de Castro disse...

A tua poesia retalha muito bem a descrição de um determinado momento. :)
Em relação aos post scriptums...
De um centro é possível singrar mais caminhos do que quando se está aprisionado pela água... mas a imaginação leva a muitos outros que nem o fogo desfaz em cinzas...
Tudo de bom :)))

Helena disse...

É sempre um prazer ler as tuas palavras...

Um abraço

Helena disse...

É sempre um prazer ler as tuas palavras...

Um abraço

Spöck disse...

Optimos trabalhos, é uma honra divinal ler os teus poemas (: